Creio que o que nos seduz no analógico é a perseguição da pessoa que gostavámos de ser e que, novamente, achamos que conseguimos ser após o ato de adquirir alguma coisa. "Eu vou ser mais feliz quando tirar fotografias numa máquina analógica", "Eu vou ser mais interessante quando ler no metro", "Eu vou ser mais misteriosa quando ouvir música em wired headphones (em vez de airpods) e fumar cigarros (em vez de iqos)". Acredito que é apenas uma tendência, que passa e deixa um rasto de desperdício material atrás, porque é profundamente performativo - para se ser analógico, pode-se simplesmente ser analógico sem ter um welcome kit com uma cópia d'O Estrangeiro, uma kodak e um mp4 que só toca Spice Girls. Queremos que nos vejam como aquilo, mesmo que seja potencialmente entediante para nós ter aqueles hábitos e viver aquela vida de curadoria tão minuciosa.
Quando for novamente cool publicar fotografias no instagram e falar pelos cotovelos, tenho a certeza que a febre do misterioso e análogico vai ser só uma lembrança distante.
Acho que tens toda a razão, Matilde! Neste caso concreto, há um factor nostálgico que nos faz desejar um reviver do passado com uma textura do presente, ao mesmo tempo que nos pode dar pistas sobre quem podemos ser, ou como existir no mundo.
A ideia de consumir coisas e adquirir como meio de criar identidade não é nova, mas com as redes sociais, muito do que disse sobre o mundo analógica se aplica a outras áreas. Da moda e beleza à ideia de intelectualidade, tudo é passível de ser comodificado, convencendo-nos de que se comprarmos aquele objecto, vestirmos aquela roupa, etc… vamos estar a validar a nossa identidade dentro desse grupo. O problema é mesmo esse, hoje somos todas as tendências e esquecemo-nos de ser simplesmente, nós. Generalizo, mas entendes o que digo.
A ideia do mistério interessa-me, sabes, essa postura de não saberes muito sobre a pessoa (é saudável), mas curiosamente a estética do mistério online passa justamente por aniquilarmos o ingrediente “mistério” da equação, isto é, a partir do momento em que me tento colocar no mundo como “pessoa misteriosa”, já não o estou a sê-lo. Isto é muito meta, aiii, mas temas como estes interessam-me sempre tanto <3
Fascina-me também imenso! Em especial porque o ponto de partida é querer ser misterioso, com o objetivo de despertar curiosidade no outro. No final do dia, continua a pensar-se e valorizar-se acima de tudo a opinião alheia e a ter preocupação sobre a nossa perfomance (as ourselves) e como ela está a ser percepcionada. É o paradoxo da infelicidade online, porque, tal como disseste, ao fazê-lo conscientemente, não se é o que se pretende ser!
Você conseguiu expressar ideias complexas de uma forma tão clara, muito obrigada ! Pra mim, é estranho, pois não uso Instagram, nem divulgo nada em qualquer outra rede social de imagens, e ainda sim, sou corrompida pelo consumo do “estilo de vida analógico” como tentativa de desacelerar, consumir menos (produtos e serviços) e tentar viver sem esse declínio cognitivo advindo da enxurrada audiovisual, que a internet se tornou. Afinal, como fazer nosso dinheiro permanecer rendendo em nossos bolsos, ao invés de retornar pra mão dos grandes da indústria? Sinto que tudo começa e termina no dinheiro.
Sim, tão verdade! Esta ideia de que grande parte das coisas que fazemos implicarem sempre um gasto económico. Muitas tendências online surgem justamente com esse propósito, acho que por isso também quis escrever sobre este tema em específico por sentir que sou um also fácil no que toca à comodificação desta estética. Fico muito feliz que tenhas gostado! 💌
Uau!! Estou muito impactada! E refletindo também sobre aqueles que acreditam verdadeiramente que, ao se inserirem nessa estética analógica, terão automaticamente uma vida menos ansiosa, mais reflexiva e contemplativa.
A parte sobre as imagens foi o que mais me saltou à vista, é que acho que controlam tudo, até para a pessoa menos online de sempre.
Talvez por ser rápida de compreender. Imediata. Não sei, talvez estas modas, convençam alguém a comprar livros, ou estar mesmo no momento.
Mas o mais provável é que não vá acontecer, para isso é preciso se treinar a lentidão e a paciência. Esse desconforto não se nota nas imagens aesthetic.
Sim, vivemos de facto num mundo onde a imagem é quem dita o valor e a forma de vermos o mundo, o que tem o seu lado bom e inventivo (a criação da fotografia é um feito incrível), mas em excesso pode criar alguma confusão na maneira como pensamos, eu acho.
Estas modas convencem sempre alguém a comprar algo, eu estou incluída nesse batch, acho que é muito fácil, apelando ao visual, atiçar este instinto de possuir o que está a ser representado, o problema é o que tento explicar neste texto. Possuímos o que está na imagem porque nos identificamos realmente nisso, ou apenas queremos ter por ser algo socialmente aceite e valorizado? Dilemas, dilemas!
E sim, a lentidão, aborrecimento e paciência são ingredientes chave, especialmente nos dias de hoje. As estéticas digitais, por regra, trazem um contexto sem atrito, são um filtro que usamos. Claro que se olharmos para o passado, estéticas que se tornaram icónicas, como o grunge, o punk, etc, havia contexto, mas foram criadas no mundo real e surgiram de contextos sociais e políticos, daí sobreviverem até aos dias de hoje. Enfim, estou a divagar, mas são temas realmente interessantes de pensar Ana, obrigada pelo teu comentário <3
marta e o dom de pôr por palavras o que vai na minha cabeça, tantas e tantas vezes. e este é daqueles temas que me faz um pouco de comichão. o discurso do slow living e do offline, mas que acaba sempre mostrado (e um pouco exibido) no mesmo sítio, no online. é um pouco hipócrita e irrita-me. quem vive assim verdadeiramente, na sua essência, nem se lembra de o partilhar. ou a minha avó e os meus pais andam a falhar 🧑🏻🩰 love you minha amiga que escreve melhor que ninguém
Marleneee, és muito linda. É isso mesmo, são temas que nos passam pela cabeça e no meio da velocidade nem conseguimos bem explicar. Só sabemos que algo nos parece pouco autêntico, mas não sabemos ao certo localizar a fonte da encenação. É o mundo onde vivemos, escrever ajuda a pensar sobre isto, mas não quero que seja visto como um take fundamentalista, é mais para ajudar a perceber o que se passa à nossa volta (quando digo volta, no mundo digital).
Se olharmos para o mundo real, grande parte destas tendências e discursos deixa de ter a mesma expressão e ainda bem! Sim, concordo, nem se lembram de partilhar, mas, mesmo quando o fazem, acho que conseguimos perceber se está ou não alinhado e se é ou não performance. Muitas camadas de significado, mas sim, estamos atentas! 🔮 love you minha amiga que comenta melhor que ninguém (mas estou biased!)
Às vezes pergunto-me o porquê de haver esta insistência nas coisas analógicas se depois só existem para serem exibidas online, como é o caso das fotografias analógicas que há quem mande revelar só para as receber por e-mail (e então poder publicar online para as mostrar). Por outro lado, estou cada vez mais interessada na questão da posse do meio (música, filmes...) porque estando dependentes de plataformas de streaming, também estamos dependentes que estas disponibilizem o conteúdo ou não. Se quiserem remover músicas, filmes, séries, fica impossível de lhes aceder.
Acho que é como tudo, Rafaela, a insistência surge de uma memetização, as trends parecem gritar que nós sejamos X, ou compremos Y. Por isso é que eu acho importante pensar mais a fundo sobre todos estes temas!
A ideia de possuir coisas físicas, como também digo, é sedutora porque cada vez menos coisas nos pertencem, então faz sentido fazermos esse arquivo, mas a fazer, lá está, sempre com a consciência de que o fazemos por nós e não porque o mundo inteiro grita “Tens de comprar um iPod, já!”.
Sobre as alternativas menos ortodoxas ao acesso de notícias, filmes e música, eu sou fã e participo activamente nelas. De outra maneira não conseguiria ver certos filmes que nem sequer existem no streaming ou ler notícias sobre temas como este. Acho é que, para seguirmos por essas alternativas, temos de querer saber como fazer e ter curiosidade em procurar mais. Mas percebo perfeitamente o teu ponto!
Sim, também recorro a essas alternativas. Aliás, sei que é um take polémico dentro de certos ambientes, mas eu acredito que a pirataria mantém muita arte viva e disponível. Não tenho grandes pruridos morais neste campo, sobretudo se estivermos a falar de coisas difíceis ou mesmo impossíveis de aceder de outra maneira.
Que reflexão incrível, Marta. Gostei, particularmente, da associação ao simulacro do Baudrillard e de como o ato performativo de um consumo analógico se torna numa categoria estética do mundo online, perdendo por completo o seu significado original. Aliás, o contrassenso de sinalizar a virtude de uma manhã (ou vida) analógica numa rede social é um produto desta comodificação de tudo, inclusivé da estética. Obrigado por este texto que nem sabia que estava a precisar, agora vou-me deliciar com a curadoria magnífica de links que andam por aqui.
Ahhhh, ainda bem que gostaste, João. Desde as aulas de Filosofia na Universidade, nunca mais larguei este hábito de tentar olhar para o mundo através das lentes filosóficas, acho que enriquece o discurso e o pensamento. Muitas vezes penso na frase que corre online “girl, it’s not that deep”, mas para mim é. E, portanto, falar sobre este tema e não trazer à baila discurso dos media e crítica de pessoas que foram pioneiras nesse exercício, não seria a mesma coisa :)
Muito obrigada eu, mais uma vez, pelo comentário e partilha. Os links são muitoooos, eu sei, mas tentei adicionar a versão sem paywall em quase todos para os poderem ler, se assim entenderem. Because sharing is caring.
Aqui em casa, e para evitarmos c conjunto miúdos+telemóvel, voltámos a algumas coisas ao analógico. Ainda ontem nos lembrámos de ver dvds num velho pc. Agora, torna-se difícil alguns regressos. Comprámos um mp3 ao mais velho para ouvir podcasts e descobrimos se que tinha tornado difícil fazer os downloads. Ando a pesquisar dvds p a mais nova e não são fáceis de encontrar (e já não há aqueles dvds a 3€ na fnac). Eles gostam de fotografia, temos de ir desencantar as velhinhas máquinas fotográficas digitais.
caramba, escreves tão bem. estava constantemente a ler e a pensar "vou fazer restack desta parte do texto". o analógico não é mesmo, para a maior parte das pessoas, uma forma de fugir ao digital. são só atividades analógicas performadas para um público digital.
Oh, obrigada André. In a nutshell, é isso mesmo, mas no meu texto não quis entrar em generalizações, mesmo eu participo nesse consumo, apesar de não o comunicar online. Mas só o facto de estarmos atentos a este tipo de comportamentos muitas vezes inconscientes, torna-nos mais capazes de os rejeitar com sucesso e abraçar o lema “I am who I am and I’ll be what I like” <3
sim. generalizações, no geral, não são fixes de fazer. acho que também estava a fazer um mea culpa quando comentei porque já dei por mim a pensar “vou comprar media física (cd’s/dvds filmes, etc)” e logo a seguir pensar “tenho de publicar o que comprei” - e odeio a ideia de serem dois pensamentos que me vieram adjacentes.
Adorei o texto, também eu me sinto muito dividida entre o offline e o online, e tento resistir a romantizações. Mas enquanto leitora ávida e pessoa que precisa de viajar muito em trabalho, não conseguia mais viver sem o Kobo. E às vezes tenho vontade de arrancar cabelos quando leitores ocasionais me dão sermões sobre "o cheiro dos livros". Também eu gosto de ter um livro nas mãos, mas a minha paixão é ler, não é cheirar livros...
Espectacular. Que texto incrível. ❤️❤️❤️
Muitooo obrigada!
Incrível, Marta!
Creio que o que nos seduz no analógico é a perseguição da pessoa que gostavámos de ser e que, novamente, achamos que conseguimos ser após o ato de adquirir alguma coisa. "Eu vou ser mais feliz quando tirar fotografias numa máquina analógica", "Eu vou ser mais interessante quando ler no metro", "Eu vou ser mais misteriosa quando ouvir música em wired headphones (em vez de airpods) e fumar cigarros (em vez de iqos)". Acredito que é apenas uma tendência, que passa e deixa um rasto de desperdício material atrás, porque é profundamente performativo - para se ser analógico, pode-se simplesmente ser analógico sem ter um welcome kit com uma cópia d'O Estrangeiro, uma kodak e um mp4 que só toca Spice Girls. Queremos que nos vejam como aquilo, mesmo que seja potencialmente entediante para nós ter aqueles hábitos e viver aquela vida de curadoria tão minuciosa.
Quando for novamente cool publicar fotografias no instagram e falar pelos cotovelos, tenho a certeza que a febre do misterioso e análogico vai ser só uma lembrança distante.
Acho que tens toda a razão, Matilde! Neste caso concreto, há um factor nostálgico que nos faz desejar um reviver do passado com uma textura do presente, ao mesmo tempo que nos pode dar pistas sobre quem podemos ser, ou como existir no mundo.
A ideia de consumir coisas e adquirir como meio de criar identidade não é nova, mas com as redes sociais, muito do que disse sobre o mundo analógica se aplica a outras áreas. Da moda e beleza à ideia de intelectualidade, tudo é passível de ser comodificado, convencendo-nos de que se comprarmos aquele objecto, vestirmos aquela roupa, etc… vamos estar a validar a nossa identidade dentro desse grupo. O problema é mesmo esse, hoje somos todas as tendências e esquecemo-nos de ser simplesmente, nós. Generalizo, mas entendes o que digo.
A ideia do mistério interessa-me, sabes, essa postura de não saberes muito sobre a pessoa (é saudável), mas curiosamente a estética do mistério online passa justamente por aniquilarmos o ingrediente “mistério” da equação, isto é, a partir do momento em que me tento colocar no mundo como “pessoa misteriosa”, já não o estou a sê-lo. Isto é muito meta, aiii, mas temas como estes interessam-me sempre tanto <3
Fascina-me também imenso! Em especial porque o ponto de partida é querer ser misterioso, com o objetivo de despertar curiosidade no outro. No final do dia, continua a pensar-se e valorizar-se acima de tudo a opinião alheia e a ter preocupação sobre a nossa perfomance (as ourselves) e como ela está a ser percepcionada. É o paradoxo da infelicidade online, porque, tal como disseste, ao fazê-lo conscientemente, não se é o que se pretende ser!
I rest my case, disseste tudo!
Você conseguiu expressar ideias complexas de uma forma tão clara, muito obrigada ! Pra mim, é estranho, pois não uso Instagram, nem divulgo nada em qualquer outra rede social de imagens, e ainda sim, sou corrompida pelo consumo do “estilo de vida analógico” como tentativa de desacelerar, consumir menos (produtos e serviços) e tentar viver sem esse declínio cognitivo advindo da enxurrada audiovisual, que a internet se tornou. Afinal, como fazer nosso dinheiro permanecer rendendo em nossos bolsos, ao invés de retornar pra mão dos grandes da indústria? Sinto que tudo começa e termina no dinheiro.
Sim, tão verdade! Esta ideia de que grande parte das coisas que fazemos implicarem sempre um gasto económico. Muitas tendências online surgem justamente com esse propósito, acho que por isso também quis escrever sobre este tema em específico por sentir que sou um also fácil no que toca à comodificação desta estética. Fico muito feliz que tenhas gostado! 💌
Uau!! Estou muito impactada! E refletindo também sobre aqueles que acreditam verdadeiramente que, ao se inserirem nessa estética analógica, terão automaticamente uma vida menos ansiosa, mais reflexiva e contemplativa.
Não teria dito melhor <3 Obrigada pelo comentário!
A parte sobre as imagens foi o que mais me saltou à vista, é que acho que controlam tudo, até para a pessoa menos online de sempre.
Talvez por ser rápida de compreender. Imediata. Não sei, talvez estas modas, convençam alguém a comprar livros, ou estar mesmo no momento.
Mas o mais provável é que não vá acontecer, para isso é preciso se treinar a lentidão e a paciência. Esse desconforto não se nota nas imagens aesthetic.
Sim, vivemos de facto num mundo onde a imagem é quem dita o valor e a forma de vermos o mundo, o que tem o seu lado bom e inventivo (a criação da fotografia é um feito incrível), mas em excesso pode criar alguma confusão na maneira como pensamos, eu acho.
Estas modas convencem sempre alguém a comprar algo, eu estou incluída nesse batch, acho que é muito fácil, apelando ao visual, atiçar este instinto de possuir o que está a ser representado, o problema é o que tento explicar neste texto. Possuímos o que está na imagem porque nos identificamos realmente nisso, ou apenas queremos ter por ser algo socialmente aceite e valorizado? Dilemas, dilemas!
E sim, a lentidão, aborrecimento e paciência são ingredientes chave, especialmente nos dias de hoje. As estéticas digitais, por regra, trazem um contexto sem atrito, são um filtro que usamos. Claro que se olharmos para o passado, estéticas que se tornaram icónicas, como o grunge, o punk, etc, havia contexto, mas foram criadas no mundo real e surgiram de contextos sociais e políticos, daí sobreviverem até aos dias de hoje. Enfim, estou a divagar, mas são temas realmente interessantes de pensar Ana, obrigada pelo teu comentário <3
são mesmo, obrigada pelo texto :)
marta e o dom de pôr por palavras o que vai na minha cabeça, tantas e tantas vezes. e este é daqueles temas que me faz um pouco de comichão. o discurso do slow living e do offline, mas que acaba sempre mostrado (e um pouco exibido) no mesmo sítio, no online. é um pouco hipócrita e irrita-me. quem vive assim verdadeiramente, na sua essência, nem se lembra de o partilhar. ou a minha avó e os meus pais andam a falhar 🧑🏻🩰 love you minha amiga que escreve melhor que ninguém
Marleneee, és muito linda. É isso mesmo, são temas que nos passam pela cabeça e no meio da velocidade nem conseguimos bem explicar. Só sabemos que algo nos parece pouco autêntico, mas não sabemos ao certo localizar a fonte da encenação. É o mundo onde vivemos, escrever ajuda a pensar sobre isto, mas não quero que seja visto como um take fundamentalista, é mais para ajudar a perceber o que se passa à nossa volta (quando digo volta, no mundo digital).
Se olharmos para o mundo real, grande parte destas tendências e discursos deixa de ter a mesma expressão e ainda bem! Sim, concordo, nem se lembram de partilhar, mas, mesmo quando o fazem, acho que conseguimos perceber se está ou não alinhado e se é ou não performance. Muitas camadas de significado, mas sim, estamos atentas! 🔮 love you minha amiga que comenta melhor que ninguém (mas estou biased!)
stoppppp paraaaaaaaaaa de escrever coisas tão verdadeeeeeeeeeeee. obrigada por isso 🧡
Incrível! Que texto maravilhoso
Mercii <3
Pqp, vou dormir com essa frase final uns três dias.
Uff, foi adicionada antes mesmo de enviar <3 Obrigadaaaaa!! Também vai andar comigo na cabeça, sempre que estiver em crise existencial.
🙏
Às vezes pergunto-me o porquê de haver esta insistência nas coisas analógicas se depois só existem para serem exibidas online, como é o caso das fotografias analógicas que há quem mande revelar só para as receber por e-mail (e então poder publicar online para as mostrar). Por outro lado, estou cada vez mais interessada na questão da posse do meio (música, filmes...) porque estando dependentes de plataformas de streaming, também estamos dependentes que estas disponibilizem o conteúdo ou não. Se quiserem remover músicas, filmes, séries, fica impossível de lhes aceder.
Acho que é como tudo, Rafaela, a insistência surge de uma memetização, as trends parecem gritar que nós sejamos X, ou compremos Y. Por isso é que eu acho importante pensar mais a fundo sobre todos estes temas!
A ideia de possuir coisas físicas, como também digo, é sedutora porque cada vez menos coisas nos pertencem, então faz sentido fazermos esse arquivo, mas a fazer, lá está, sempre com a consciência de que o fazemos por nós e não porque o mundo inteiro grita “Tens de comprar um iPod, já!”.
Sobre as alternativas menos ortodoxas ao acesso de notícias, filmes e música, eu sou fã e participo activamente nelas. De outra maneira não conseguiria ver certos filmes que nem sequer existem no streaming ou ler notícias sobre temas como este. Acho é que, para seguirmos por essas alternativas, temos de querer saber como fazer e ter curiosidade em procurar mais. Mas percebo perfeitamente o teu ponto!
Sim, também recorro a essas alternativas. Aliás, sei que é um take polémico dentro de certos ambientes, mas eu acredito que a pirataria mantém muita arte viva e disponível. Não tenho grandes pruridos morais neste campo, sobretudo se estivermos a falar de coisas difíceis ou mesmo impossíveis de aceder de outra maneira.
¡Viva la revolución! <3
Que reflexão incrível, Marta. Gostei, particularmente, da associação ao simulacro do Baudrillard e de como o ato performativo de um consumo analógico se torna numa categoria estética do mundo online, perdendo por completo o seu significado original. Aliás, o contrassenso de sinalizar a virtude de uma manhã (ou vida) analógica numa rede social é um produto desta comodificação de tudo, inclusivé da estética. Obrigado por este texto que nem sabia que estava a precisar, agora vou-me deliciar com a curadoria magnífica de links que andam por aqui.
Ahhhh, ainda bem que gostaste, João. Desde as aulas de Filosofia na Universidade, nunca mais larguei este hábito de tentar olhar para o mundo através das lentes filosóficas, acho que enriquece o discurso e o pensamento. Muitas vezes penso na frase que corre online “girl, it’s not that deep”, mas para mim é. E, portanto, falar sobre este tema e não trazer à baila discurso dos media e crítica de pessoas que foram pioneiras nesse exercício, não seria a mesma coisa :)
Muito obrigada eu, mais uma vez, pelo comentário e partilha. Os links são muitoooos, eu sei, mas tentei adicionar a versão sem paywall em quase todos para os poderem ler, se assim entenderem. Because sharing is caring.
Aqui em casa, e para evitarmos c conjunto miúdos+telemóvel, voltámos a algumas coisas ao analógico. Ainda ontem nos lembrámos de ver dvds num velho pc. Agora, torna-se difícil alguns regressos. Comprámos um mp3 ao mais velho para ouvir podcasts e descobrimos se que tinha tornado difícil fazer os downloads. Ando a pesquisar dvds p a mais nova e não são fáceis de encontrar (e já não há aqueles dvds a 3€ na fnac). Eles gostam de fotografia, temos de ir desencantar as velhinhas máquinas fotográficas digitais.
Incrível, adorei tudo neste texto. Muitas vezes estou neste limbo entre um e outro, mas sempre na luta para que a vida real ganhe à performance. 🫶🏻
Obrigada Beatriz <3 Estou na mesma luta que tu, por isso escrevo, para me lembrar do que devo fazer e como desfrutar de todas estas coisinhas 🫶🏻
caramba, escreves tão bem. estava constantemente a ler e a pensar "vou fazer restack desta parte do texto". o analógico não é mesmo, para a maior parte das pessoas, uma forma de fugir ao digital. são só atividades analógicas performadas para um público digital.
Oh, obrigada André. In a nutshell, é isso mesmo, mas no meu texto não quis entrar em generalizações, mesmo eu participo nesse consumo, apesar de não o comunicar online. Mas só o facto de estarmos atentos a este tipo de comportamentos muitas vezes inconscientes, torna-nos mais capazes de os rejeitar com sucesso e abraçar o lema “I am who I am and I’ll be what I like” <3
sim. generalizações, no geral, não são fixes de fazer. acho que também estava a fazer um mea culpa quando comentei porque já dei por mim a pensar “vou comprar media física (cd’s/dvds filmes, etc)” e logo a seguir pensar “tenho de publicar o que comprei” - e odeio a ideia de serem dois pensamentos que me vieram adjacentes.
voltarei a esse lema 🤞
Adorei o texto, também eu me sinto muito dividida entre o offline e o online, e tento resistir a romantizações. Mas enquanto leitora ávida e pessoa que precisa de viajar muito em trabalho, não conseguia mais viver sem o Kobo. E às vezes tenho vontade de arrancar cabelos quando leitores ocasionais me dão sermões sobre "o cheiro dos livros". Também eu gosto de ter um livro nas mãos, mas a minha paixão é ler, não é cheirar livros...